Transcrição do excelente blog http://www.forte.jor.br
"O jornal inglês The Economist, no dia 1º de outubro de 2007, publicou nota sobre uma
decisão da Organização das Nações Unidas (ONU) de 20 de setembro daquele ano, que
determinara como pertencente à Guiana uma área marinha que estava em disputa com o
Suriname. O jornal dizia que "o Serviço Geológico dos EUA (USGS) acredita que as águas
turvas da Bacia Guiana-Suriname podem conter mais petróleo não descoberto do que as
reservas comprovadas no Mar do Norte (…)".
Pois é, a Guiana tem petróleo. Ela tem petróleo não só no mar, mas também no interior.
Nos dias de hoje, por exemplo, a empresa de exploração de petróleo Groundstar aposta
nesta potencialidade da Guiana e fechou um pacote de contratos, dentro dos quais
estabeleceu 3 pontos para as primeiras perfurações: nas regiões dos rios Karanambo,
Rewa e Pirara. Toda esta predisposição petrolífera na vizinha Guiana concentra-se num
tipo de terreno geológico-ambiental classificado como bacia sedimentar.
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General Augusto Heleno.
Comandante Militar da Amazônia. |
Voltando
à Guiana, a exploração do petróleo/gás
naquele país acontece na bacia
sedimentar do Tacutu, que tem cerca de
30.000 km². Parte dessa bacia, cerca de
12.000 km², está no Brasil, dentro do
estado de Roraima. A Bacia de Tacutu
originou-se do mesmo movimento tectônico
(separação dos continentes) que produziu
as bacias cretácicas produtoras de
petróleo da costa do Brasil, como a do
Recôncavo, na Bahia, e a Potiguar, no
Espírito Santo. A Bacia do Recôncavo tem
um terço do tamanho da bacia do Tacutu,
produz há mais de 50 anos e, mesmo
assim, ainda hoje se descobrem novos
campos produtores de óleo.
Entretanto, o que já se fez na bacia
do Tacutu, aqui no Brasil, até hoje?
Muito pouco. Na década de
80, a Petrobrás realizou levantamentos
sísmicos de reconhecimento, mas com
tecnologia de baixa capacidade e que
hoje já está ultrapassada. Foram
perfurados apenas dois poços na área, os
quais comprovaram a existência de
camadas geradoras e de rochas
acumuladoras, mas que não mostraram (nos
locais furados) indícios de óleo
e gás. Acontece que, ainda hoje, apesar
do enorme progresso obtido nos variados
métodos de pesquisa, mais de 80% dos
poços pioneiros (os primeiros a serem
perfurados em uma bacia sedimentar) não
resultam, nem aqui no Brasil e nem no
mundo, em descobertas aproveitáveis,
oferecendo, porém, valiosas informações
quanto às possibilidades petrolíferas da
área, permitindo refinar a pesquisa e
redirecionar os próximos furos, os quais
passam a ter melhores condições de
acerto.
Na bacia de Campos (Rio de Janeiro), por
exemplo, os 10 primeiros poços foram
negativos, mas forneceram valiosas
informações para localizar o primeiro
poço positivo, furado em 1974.
O mapa acima (omitido), copiado do site
da Groundstar, mostra a posição da Bacia
do Tacutu na região de fronteira entre o
Brasil e a Guiana. Mostra também a
localização dos principais alvos de
pesquisa da companhia. Na Guiana já
houve produção de petróleo. Segundo
artigos dos geólogos Jaime Fernandes
Eiras e Joaquim Ribeiro Wanderley Filho,
que já trabalharam para a Petrobrás,
"houve produção inicial (1982) de 409
barris de óleo/dia, em basalto
atravessado no fundo do poço Karanambo
1. Após a completação, o poço passou a
depletar, chegando a produzir por
pistoneio, água salgada e apenas 60
barris de óleo/dia. Como o poço foi
perfurado sobre um amplo arco regional,
acredita-se que situações geológicas
mais favoráveis poderiam ser encontradas
em zonas mais tectonizadas".
De acordo com estes mesmos geólogos, o
tipo de acumulação da Bacia do Tacutu é
similar ao da Bacia do Solimões e, por
isto, tem grandes chances de também
conter petróleo, já que na do Solimões
"a Petrobrás produz diariamente cerca de
57 mil barris de óleo e 6 milhões de
metros cúbicos de gás".
Essa questão da necessidade de se voltar
a pesquisar petróleo/gás na bacia do
Tacutu é tão séria que foi,
inclusive, tema de tese de dourado no
Instituto de Geociências da UFRJ:
"Análise Tectono-estratigrágica da Bacia
do Tacutu em Território Brasileiro", do
geólogo Renato Lopes Silveira. De acordo
com seus estudos, Silveira conclui que o
"potencial petrolífero da Bacia do
Tacutu não foi adequadamente avaliado e
que a aquisição de novos dados
geofísicos e a aplicação de parâmetros
de aquisição e de processamento mais
adequados propiciariam avaliar
convenientemente a referida bacia". Para
o geólogo "a ausência de reservatórios
convencionais arenosos na bacia do
Tacutu, propícios à acumulação de
hidrocarbonetos, não seria compatível
com a maioria das bacias do tipo rifte
que ocorrem no mundo".
Já em 2001, a Agência Nacional de
Petróleo (ANP) publicava um mapa com as
reservas brasileiras de hidrocarbonetos
no qual marcava a bacia do Tacutu entre
essas reservas. Ou seja, o fato de haver
reservas de petróleo e de gás na região
não é desconhecido por autoridades
ligadas à área petrolífera e nem por
parte do governo, que, em novembro de
2006, por meio do Ministério da Ciência
e Tecnologia, empregou recursos da ordem
de R$ 1,5 milhão, através de emenda
parlamentar, na Universidade Federal de
Roraima, para a implementação do Núcleo
de Pesquisas Energéticas (Nupenerg) com
propostas de pesquisar petróleo na bacia
do Tacutu, e na Bacia Sedimentar do
Amazonas, na região sul de Roraima.
Grande parte da porção brasileira da
Bacia do Tacutu está dentro da área da
reserva indígena Raposa Serra do Sol. Ou
seja, como se não bastasse haver nióbio,
tântalo, ouro e diamantes, na Raposa
Serra do Sol também tem petróleo e/ou
gás.
Além disso, há outra coisa muito
importante que precisa ser observada.
Esta semana, o escritor Félix Maier
publicou um artigo sobre uma nova
demarcação de reserva indígena
pretendida pela FUNAI e pelo Instituto
Sócio Ambiental (ISA): a dos Cué-Cué
Marabitanas, no Amazonas. A descrição
geográfica da posição desta Terra
Indígena (TI) feita por Maier
impressiona:
"Na extremidade sul da TI Cué-Cué
Marabitanas fica a cidade de São Gabriel
da Cachoeira… Entre a TI Balaio, a
leste (que, por sua vez, já faz
fronteira com a TI Ianomâmi); a TI Alto
Rio Negro, a oeste; a TI Médio Rio Negro
I, ao sul; e a Venezuela, ao norte.
Abaixo da TI Alto Rio Negro, existe
ainda a TI Rio Apapóris (próximo à Vila
Bittencourt) . E a leste da TI Médio Rio
Negro existem as TI Médio Rio Negro II e
TI Rio Tea. Abaixo da TI Médio Rio Negro
I - depois de uma faixa de terra
ainda não pleiteada pela Funai para os
indígenas - existe a TI Uneiuxi. Todas
estas TI ficam no Amazonas. Com as
demarcações de Balaio e Cué-Cué
Marabitanas, o município de São Gabriel
da Cachoeira terá 90% de suas terras
destinadas aos índios!"
A criação da Reserva Indígena Balaio foi
feita depois que o Serviço Geológico do
Brasil (CPRM), órgão do Ministério de
Minas e Energia, identificou Seis Lagos,
um imenso depósito de nióbio logo a
norte de São Gabriel da Cachoeira. Esse
depósito pode ser até maior que o maior
depósito de nióbio hoje conhecido no
mundo, que é o de Araxá, em Minas
Gerais, que produz 95% do nióbio
consumido no mundo. Aliás, antes mesmo
de criar a reserva indígena foi criado
um parque nacional sobre o depósito,
para impedir seu estudo. A quem
interessa isso?
Mas, as ambições não param por aí. A
pretensão da Fundação Nacional do Índio
(Funai) e do Instituto Sócio-Ambiental
(ISA) é juntar todas estas terras
indígenas numa única, que receberia o
nome de TI Balaio, na qual São Gabriel
da Cachoeira estaria completamente
inserida.
Acompanhando todas as demarcações de
TI(s) e de reservas ambientais na região
da Amazônia Legal e até nas suas
redondezas, pode-se observar a formação
de um corredor de riquezas com
importância estratégico-geográfica
impressionante. Uniria o Oceano
Atlântico ao Pacífico, partindo da
Guiana e passando pelo Brasil e
Colômbia.
Olhando o mundo a partir da suposição de
uma Terceira Guerra Mundial, quem tiver
o domínio sobre esta região
do `corredor' estará muito bem
arranjado.O importante é começar a
pensar sobre quais seriam as razões por
trás da construção deste corredor…
Autora: Rebecca Santoro.
Fonte: Agência Amazônia
NOTA DO BLOG: As palavras do General
Heleno dizem tudo. "A política
indigenista brasileira está
completamente
dissociada do processo histórico de
colonização do nosso país. Precisa ser
revista com urgência. É só ir lá ver as
comunidades indígenas para ver que essa
política é lamentável, para não dizer
caótica."
Enviado por: Manoel Soriano Neto.
(29/10/2008) |
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